Finalmente, a luta cessara.
Simplesmente acabou.
Era tudo o que todos desejavam.
E então, deitada sobre o único gramado ainda vivo em Meyhadd, ela contemplava o céu. O céu estava exatamente como no dia em que soube da existência de Meyhadd. Era incrível como o céu estava azul completamente sem nuvens. Um sol irradiava a paz estabelecida agora. Ele parecia não saber a dor dentro dela, que desejava gritar, mas não havia motivo. Uma lágrima percorreu o rosto macio e cansado de Trenks. Já havia chorado muito naquele dia, chorado por dez pessoas juntas. Mas isso era pouco. Ela não chorava por estar sozinha. Não chorava de alegria. Chorava de tristeza, porque quando enfim Meyhadd fora salva, sua população já era extinta. Não havi nada que ela pudesse fazer.
Sentia um profundo ódio pela morte de Amy, desejava que ela ainda estivesse viva para pode-la toturar. Mas não adiantaria. Não iria se sentir melhor fazendo o que Amy lhe fizera passar. Só iria piorar.
Meyhadd já não era a mesma, e mesmo que Trenks tentasse fazê-la voltar ao que era antes, não voltaria. A alma da cidade morrera com os cidadãos. E junto com a alma da cidade, todas as cabanas das aulas de aprendizes, todas as casinhas dos cidadãos, tudo o que era Meyhadd antes tornara-se simplesmente um monte de escombros, os restos mortais da cidade.
E a culpa... a culpa era somente de Trenks.
Mais lágrimas debulharam-se daqueles olhos inchados que agora, nem pareciam castanhos-dourados. Ela sentou, fitando a imagem da destruição causada por ela.
Com seu punhal nas mãos, direcionados ao peito e encharcados ppor uma mistura nojenta de sangue e lágrimas ela o afastou. Concentrou todo o seu poder de FATA nas mãos e, por uma fração de segundos, com o punhal afastado, porém apontado para o próprio peito, ela pediu perdão à todos que se lembrara no momento.
À Flint, por não lhe dar a chance de conhecer o mar, por não ser uma amiga prestável e por não lhe deixar ir comigo. Derrubou mais três ou quatro lágrimas. À Nathan, por dicutir quando não necessário e por deixar-lhe ir sem dizer que lhe amo. Ela abaixou a cabeça e soluçou, derrubando mais lagrimas. À Mentora True, por ter desconfiado de sua lealdade, por ter dito que era fraca e impotente para perseguir seu sonho e por roubar sua varinha. Ela riu da lembrança do episódio, ainda às lágrimas. E a Meyhadd, por não tê-la protegido como devia, e odiar-lhe certa vez.
Ela suspirou profundamente, e disse, agora em voz alta:
- Adeus Meyhadd!
Ouviu-se então um ruido ali perto. O segundo em que Trenks decidira excluir-se do mundo se esvaíra. Alguém se aproximava. Ela não mais poderia lutar. Entregaria-se à morte como se fosse sua recompensa por ter deixado a cidade morrer, mas não era alguém com quem lutar. Era um menino com manchas de sangue por todo o corpo, muito machucado. Os cabelos até o ombro, e Trenks soube quem era. O menino pirata a quem mais pedira perdão. Ele vinha ao seu encontro. Feliz, muito feliz.
- Trenks! Que bom que sobreviveu. O que está fazendo? Você não vai se matar - e ele lhe tirou o punhal das mãos. Abraçou Trenks que não conseguia dizer uma única palavra - Não depois de tudo o que fizera. Você é minha heroína, Trenks.
- Flint!
E eles ficaram comtemplando os restos mortais da cidade a que tanto lhes dera em vida. Que agora era apenas... a cidade dos escombros.
Por H. A. Mendes - 2008